A Bélgica já proibiu os cigarros eletrônicos descartáveis. Agora, discute-se a possibilidade de ir além — restringindo ou proibindo os cigarros eletrônicos aromatizados. Parece uma medida decisiva. Mas não é. Trata-se de uma política que irá expandir o mercado negro, dar acesso a produtos não regulamentados a mais jovens e afastar fumantes adultos de algo que, na verdade, lhes fazia bem.
Um novo estudo realizado por Instituto Fraunhofer O relatório expõe a dimensão do problema. Quase metade de todos os produtos de vaporização consumidos na UE já são comercializados ilegalmente — num valor de 6,6 mil milhões de euros. A Bélgica, um dos principais centros logísticos europeus para as importações chinesas de produtos de vaporização, encontra-se no centro desta situação. O país já possui uma das menores quotas de mercado irregular na UE, com 26%, em grande parte devido à sua infraestrutura comercial e de reporte eficientes. A proibição de sabores não irá manter esta situação. Pelo contrário, irá acelerar a transição para fontes não regulamentadas.
Veja o que aconteceu na Holanda. Uma proibição de sabores foi implementada e, em um ano, o uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes aumentou 25% e o tabagismo entre jovens, 41%. A proibição, que deveria proteger os jovens, piorou a situação para eles. Isso porque um vendedor do mercado negro não verifica a identidade dos clientes. Uma cadeia de suprimentos criminosa não registra os produtos nem testa os ingredientes. Ao eliminar a opção legal, você não elimina a demanda. Você apenas elimina a fiscalização.
Na Bélgica, os adultos que utilizam cigarros eletrônicos preferem, em sua grande maioria, sabores que não remetem ao tabaco. Em toda a UE, 681 mil usuários de cigarros eletrônicos optam por sabores de frutas e doces — não por causa de campanhas de marketing, mas porque esses sabores ajudam a romper a associação com o cigarro tradicional. Pesquisas mostram que adultos que usam cigarros eletrônicos com sabor têm 230% maiores probabilidades A taxa de abandono do tabagismo é maior entre aqueles que usam produtos com sabor de tabaco. Se os sabores forem removidos, uma parcela significativa dessas pessoas volta a fumar. Algumas, inclusive, encontram produtos aromatizados no mercado negro. Nenhum dos dois resultados é benéfico para a saúde pública.
Os políticos belgas querem proteger os jovens e a saúde pública. Nós também. Mas as evidências estão aí e apontam claramente para uma direção: restringir o acesso legal para adultos não reduz o consumo, mas sim o redireciona.
Os Países Baixos tentaram isso. O tabagismo entre os jovens aumentou. O mercado negro cresceu. Os ministros das finanças perderam receita tributária. E os fumantes perderam uma ferramenta que estava funcionando.
A Bélgica pode aprender com isso ou repetir o erro. A escolha ainda está em aberto.