O Centro de Produtos de Tabaco (CTP) da Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) é responsável pela regulamentação de produtos de tabaco e nicotina, incluindo cigarros eletrônicos e sachês de nicotina oral. Um estudo recente Reuters O artigo destaca como a FDA está acelerando as análises desses produtos sob pressão da Casa Branca, levantando questões sobre o processo de aprovação e possíveis vieses. Um fator crítico frequentemente negligenciado é que o Programa de Produtos de Tabaco (CTP) é totalmente financiado por taxas de usuários de tabaco — taxas pagas pelas empresas de tabaco. Essa estrutura de financiamento gera preocupações sobre se as decisões da FDA podem favorecer produtos das grandes empresas de tabaco em detrimento de fabricantes menores, mesmo quando os produtos são quase idênticos em composição.
Modelo de financiamento da FDA: taxas para usuários de tabaco
As operações do CTP, incluindo a revisão de produtos como cigarros eletrônicos e sachês de nicotina, são totalmente financiadas por taxas cobradas dos fabricantes e importadores de produtos de tabaco. Em 2024, essas taxas totalizaram mais de 15,7 bilhões de libras esterlinas, sendo a maior parte proveniente de grandes empresas de tabaco como Altria, Reynolds American (uma subsidiária da British American Tobacco) e Philip Morris International. Essas empresas dominam o mercado de cigarros, cigarros eletrônicos e produtos mais recentes, como sachês de nicotina, o que lhes confere uma influência financeira significativa dentro do orçamento do CTP.
Esse modelo de financiamento cria um potencial conflito de interesses. O CTP depende do dinheiro das grandes empresas de tabaco para funcionar, o que pode incentivar a agência a priorizar ou acelerar as aprovações de produtos desses gigantes do setor. Fabricantes menores, que contribuem menos para o fundo de taxas de usuário, podem enfrentar uma fiscalização mais rigorosa ou processos de revisão mais lentos, mesmo que seus produtos sejam funcionalmente idênticos aos das grandes empresas.
Fórmulas idênticas, tratamento desigual?
Cigarros eletrônicos e sachês de nicotina, sejam produzidos por grandes empresas de tabaco ou marcas menores, frequentemente utilizam ingredientes semelhantes: nicotina de grau farmacêutico, aromatizantes e materiais de base como propilenoglicol ou glicerina vegetal para cigarros eletrônicos, e materiais de enchimento como celulose para sachês. Os processos de fabricação e os perfis de segurança desses produtos são amplamente padronizados em toda a indústria. No entanto, o processo de aprovação da FDA parece favorecer desproporcionalmente os produtos das principais empresas de tabaco.
Será que a indústria do tabaco possui alguma vantagem "mágica"?
A questão que se coloca é: será que as empresas de tabaco possuem alguma "fórmula mágica" exclusiva que torna seus produtos mais seguros para os consumidores? A resposta provavelmente é não. A segurança dos vapes e das bolsas de nicotina depende de fatores como a qualidade dos ingredientes, os padrões de fabricação e a rotulagem adequada — nenhum dos quais é exclusivo das grandes empresas de tabaco. Aliás, os fabricantes menores muitas vezes obtêm sua nicotina e componentes dos mesmos fornecedores que as grandes empresas, seguindo Boas Práticas de Fabricação (BPF) semelhantes.
Então, por que os produtos das grandes empresas de tabaco parecem passar pelo processo de aprovação da FDA sem dificuldades? A resposta pode estar nos recursos e na influência. As grandes empresas de tabaco têm o poderio financeiro para financiar extensos pedidos de PMTA (Autorização de Comercialização Prévia), incluindo estudos clínicos dispendiosos e equipes jurídicas para navegar pelo labirinto burocrático da FDA. Elas também possuem relacionamentos estabelecidos com os órgãos reguladores, construídos ao longo de décadas de atuação na indústria do tabaco. Empresas menores, com orçamentos limitados e menos conexões, muitas vezes têm dificuldades para atender aos rigorosos requisitos da FDA, mesmo quando seus produtos são funcionalmente equivalentes.
A conexão com a Casa Branca
A reportagem da Reuters sugere que a Casa Branca está pressionando a FDA para acelerar as análises dos sachês de nicotina, possivelmente para atender a preocupações de saúde pública ou pressões políticas relacionadas ao vaping e ao uso de nicotina por jovens. Embora isso possa beneficiar os consumidores, aumentando o acesso a alternativas potencialmente menos nocivas aos cigarros, também intensifica as preocupações com favorecimento. As grandes empresas de tabaco, com seus esforços de lobby bem financiados e contribuições significativas para o orçamento do CTP, estão em melhor posição para capitalizar sobre essa tramitação acelerada do que seus concorrentes menores.
Uma questão de justiça
O A dependência da FDA A regulamentação das taxas sobre o tabaco cria um sistema em que os maiores players da indústria exercem influência desproporcional. Embora a agência afirme priorizar a saúde pública, a aprovação de produtos de grandes empresas de tabaco em detrimento dos de fabricantes menores levanta questões sobre justiça e imparcialidade. Se os cigarros eletrônicos e as bolsas de nicotina são feitos com fórmulas e componentes quase idênticos, por que algumas marcas recebem sinal verde enquanto outras ficam de fora?
Para garantir condições equitativas, a FDA poderia considerar diversificar suas fontes de financiamento ou implementar medidas de transparência mais rigorosas no processo de PMTA. Até lá, consumidores e pequenos fabricantes podem se perguntar se os recursos financeiros das grandes empresas de tabaco — e não alguma fórmula mágica de segurança — são a verdadeira chave para a aprovação da FDA.
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