Enquanto governos em toda a África se esforçam para regulamentar o cenário em rápida evolução do consumo de nicotina, uma ameaça premente se avizinha: o aumento do comércio ilícito de produtos para vaporização. Embora os legisladores frequentemente ajam com a intenção de proteger a saúde pública, especialmente a dos jovens, das incertezas dos novos sistemas de administração de nicotina, as consequências não intencionais de regulamentações rígidas, desalinhadas ou mal aplicadas podem abrir as portas para a atividade do mercado negro.
Ironicamente, ao tentar controlar o uso de cigarros eletrônicos, os formuladores de políticas africanos podem, em vez disso, entregar o mercado a contrabandistas, falsificadores e vendedores não regulamentados. Veja como esse risco se torna realidade.
Quando um produto com alta demanda é totalmente proibido sem que sejam oferecidas alternativas legais ou medidas de redução de danos, ele não desaparece. Os consumidores, especialmente os fumantes que buscam alternativas, simplesmente procuram outras opções. Em países como Uganda, Quênia e Etiópia, onde os cigarros eletrônicos com nicotina são proibidos ou fortemente restritos, já se observa um aumento no uso de produtos ilícitos e não regulamentados.
A proibição cria escassez, e a escassez impulsiona os preços e os lucros – condições perfeitas para que contrabandistas e redes criminosas prosperem.
Políticas tributárias que tratam produtos de nicotina mais seguros da mesma forma que cigarros combustíveis, ou pior, que os tributam ainda mais, não reconhecem o espectro de riscos da administração de nicotina. Os cigarros eletrônicos, embora não sejam isentos de riscos, são amplamente reconhecidos por instituições como a Public Health England como sendo pelo menos 95% menos prejudiciais do que os cigarros convencionais.
A tributação excessiva expulsa os vendedores legítimos do mercado e cria incentivos financeiros para os comerciantes ilegais, que não pagam impostos e podem facilmente praticar preços mais baixos que os legais. Os consumidores priorizam a acessibilidade, não a legalidade.
Muitos países africanos ainda não possuem regulamentações claras e baseadas em evidências científicas para produtos de vaporização. Nesses vácuos legais, duas coisas acontecem: empresas legítimas se afastam para evitar incertezas e prejuízos futuros, e fornecedores ilícitos preenchem a lacuna com importações não regulamentadas, muitas vezes de qualidade duvidosa.
Mesmo onde existem regulamentações, elas costumam ser resultado de abordagens preguiçosas de copiar e colar, em que leis estrangeiras de controle do tabaco, concebidas para contextos sociais e econômicos muito diferentes, são importadas integralmente, sem adaptação às realidades locais ou consideração dos desafios específicos dos mercados africanos.
Sem regras claras e relevantes para o contexto local, as autoridades não conseguem fazer cumprir as normas e os consumidores não conseguem distinguir entre produtos seguros e inseguros. Visitas de supervisão parlamentar a países com regulamentações proativas e favoráveis ao vaping, como o Reino Unido e a Nova Zelândia, podem ajudar a fundamentar as políticas africanas e orientar os legisladores na direção de estruturas equilibradas.
Num continente onde as doenças relacionadas com o tabaco matam centenas de milhares de pessoas anualmente, negar alternativas mais seguras ou permitir que criminosos controlem o seu fornecimento seria um fracasso trágico. Os decisores políticos têm de escolher: irão moldar o mercado para o bem público ou entregá-lo ao mercado negro?
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