O governo do México caiu no grave erro de proibir o vapor, com enormes consequências para a saúde pública.
Na semana passada, apenas um dia após a celebração do Dia Mundial do Vapeo, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, firmou um decreto que proíbe a circulação e comercialização de cigarros eletrônicos. A decisão, de base científica, terá um impacto muito negativo sobre os vapeadores e sobre os negócios mexicanos.
Segundo diversas fontes, até 16 milhões de mexicanos fumaram tabaco, supondo-se em torno de 18% da população do país entre 12 e 65 anos. As estimativas apontam para cerca de 65.000 mortes relacionadas ao tabaquismo a cada ano. O potencial para melhorar a saúde dos mexicanos de herramientas de redução de danos como o vapor é, por tanto, enorme. Mais de 3 milhões de fumantes mexicanos poderiam passar ao vapeo e salvar suas vidas no futuro, cerca de aplicar uma regulamentação inteligente como a existente no Reino Unido. No entanto, o governo mexicano decidiu ir contra a saúde pública e contra todas as evidências científicas disponíveis.
Em primeiro lugar, é claro que a decisão parte de uma premissa falsa: que vaporizar é tão prejudicial quanto fumar. Uns dias antes da aprovação do decreto, a Comissão Federal para a Proteção contra Riesgos Sanitários (Cofepris) declarou um alerta sanitário máximo para os riscos para a saúde que representam os produtos alternativos ao tabaco. Isso é fora de toda lógica, já que está amplamente demonstrado que o vapor é muito menos prejudicial que o tabaco, um 95% conforme Public Health England, e é recomendado como método para deixar de fumar em países como o Reino Unido ou França. A diferença entre as cigarrilhas, que geram mais de 7 mil substâncias químicas na combustão - das quais 69 são potencialmente cancerígenas - os líquidos de vapor são compostos por ingredientes alimentares praticamente inócuos e seu risco de causar câncer é apenas um 0,4% do tabaco.
Em segundo lugar, as razões que o governo utiliza para justificar esta proibição são erradas. A senadora Lilia Valdez, por exemplo, garantiu que os vaporizadores e seus líquidos com sabores serão utilizados para “enganchar crianças e adolescentes que depois serão consumidores de outras drogas”. Um despropósito, dado que os cigarros eletrônicos são um produto dirigido aos consumidores de tabaco para ajudá-los a parar de fumar, não há porta de entrada para tabaquismo ou outras drogas e, além disso, a proibição do vapor e dos sabores não faz com que seu consumo diminua entre os menores. Seria mais inteligente estabelecer medidas contundentes que impedissem a venda de dispositivos a menos enquanto protegem os vaporizadores adultos.
Por último, a proibição da comercialização de vaporizadores, ao permitir seu uso, impulsionará quilômetros de consumidores no mercado negro ou de volta ao tabaco. Isso aumentará a insegurança dos produtos e os vapeadores mexicanos serão obrigados a comprá-los a um preço mais elevado e não conhecerão sua verdadeira qualidade e prestações, originando maiores problemas de saúde pública. Os menores poderão comprar mais facilmente os produtos no mercado ilícito e os adultos que não puderem fazê-lo - ou não se atrevarão a violar o decreto - tenderão a voltar a fumar.
Por todo o anterior, nos posicionamos contra o decreto do governo mexicano e pedimos sua derrogação e o desenvolvimento de uma regulamentação sensata e baseada na evidência que permite que os fumantes adultos passem por alternativas mais seguras.