Argentina legalizou os vapes. O Brasil precisa seguir o exemplo.

Em 4 de maio de 2026, a Argentina cerrou 15 anos de concessão de cigarros eletrônicos. Através da Resolução 549/2026, o Ministério da Saúde argentino substituiu o veto total por um marco regulatório abrangente, com registro obrigatório, padrões de qualidade e rastreabilidade para vapes, tabaco aquecido e bolsas de nicotina. A decisão confirmou o que os dados já mostravam: a concessão não concedida. 

O Brasil enfrenta o mesmo paradoxo. A ANVISA proíbe a comercialização de cigarros eletrônicos desde 2009, mas o mercado informal nunca cessou de crescer. Enquanto isso, mais de 160.000 brasileiros morrem por ano em decorrência do tabagismo, segundo o INCA, mortes que poderiam ser evitadas com políticas baseadas em evidências. 

Países que regularam os vapes, produtos similares e outras alternativas menos danos de forma proporcional, como o Reino Unido, a Suécia e a Nova Zelândia, registraram quedas expressivas nas taxas de tabagismo. A ciência é clara: alternativas ao cigarro convencional salvam vidas quando os fumantes têm acesso legal, seguro e regulamentado a elas.

Esta vitória não aconteceu por acaso. Durante anos, consumidores argentinos, ativistas, profissionais de saúde e campanhas como o Vapeo Responsable da WVA, que reuniram mais de 10.000 assinaturas, trabalharam incansavelmente para que a evidência se manifestasse sobre o proibicionismo. É uma conquista coletiva e merece ser celebrada como tal. O quadro ainda tem imperfeições, mas o passo dado é real e extremamente significativo para a comunidade e para os consumidores em geral.

“A traição atual está falhando tanto para os consumidores quanto para a saúde pública. O Brasil deveria seguir modelos bem-sucedidos de redução de danos e dar aos fumantes acesso a produtos regulamentados e menos contratados.

A WVA celebra a decisão argentina e convoca as autoridades brasileiras para adotar a mesma abordagem. O país abriu o caminho para a América Latina. Cabe ao Brasil decidir se liderar essa transformação regional ou se manter uma jurisdição que não protege ninguém e custa vidas todos os anos.

Hoje, a Argentina mostra que a mudança é possível quando consumidores, especialistas e organizações se unem em torno da ciência.

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